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O Oeste Baiano
O Oeste da Bahia, região compreendida entre os municípios de Formosa do Rio Preto, ao norte na divisa com o estado do Piauí, e Cocos, ao sul na divisa com o estado de Goiás, representa uma importante fronteira agrícola do País. Considerando as formações de Cerrado e transição com outros ecossistemas a região ocupa aproximadamente 9,6 milhões de hectares, sendo que a área destinada ao desenvolvimento da agropecuária corresponde atualmente a mais de 2 milhões de hectares.
Soja e algodão são os dois principais produtos agrícolas, sendo que somente no período de 1998 a 2003 houve um aumento em 56% da produção de algodão na região. De acordo com dados do IBGE, no Oeste baiano estão concentrados 92% de toda a produção de grãos e alguns estudos estimam que a região possua um grande potencial para expansão, especialmente quando se considera a extensão de áreas disponíveis e as condições climáticas e edáficas propícias.
Sob o ponto de vista da biodiversidade, o Oeste da Bahia é também uma importante região para a conservação do Cerrado, pois nessa região há uma boa concentração de remanescentes de vegetação nativa, condição essa somente superada pelos cerrados do sul do Piauí e Maranhão. Estimativas realizadas com o uso de imagens recentes de satélite indicam que a cobertura vegetal nativa supera os 60% da área original (CI - Brasil, dados não publicados). Boa parte da ocupação agropecuária está concentrada no extremo oeste da região, mas os avanços sobre áreas nativas ocorrem de maneira bastante rápida.
Breve Histórico da Ocupação do Oeste Baiano
A descoberta de ouro em Goiás e de diamante em Minas Gerais, no século XVIII provocou o surgimento de povoados na região do oeste baiano, que se desenvolveram como entrepostos comerciais especialmente aqueles situados às margens dos rios, pois se constituíam nas principais vias de circulação entre os Estados nordestinos e as regiões mineradoras.
No decorrer da primeira metade do século XIX, as vilas, povoados e freguesias da região apresentaram uma expansão econômica moderada. Nesse período, já era considerável o intercâmbio comercial entre os pequenos povoados do Vale do São Francisco, mas continuava limitado aos cursos navegáveis dos rios que pertenciam à bacia. No entanto, a partir da segunda metade do século XIX, a intensificação do comércio fluvial de longa distância deu à navegação um novo impulso. Os rios Corrente, Grande e Preto constituíram-se, então, nos grandes veios de penetração e fixação de pessoas na porção oeste da Bahia.
O desenvolvimento da região, por causa de sua localização, tomou novo impulso nos anos 1960, com a fundação de Brasília, pois se situa no raio de influência da nova capital nacional. Uma das implicações importantes desse fato é que o Oeste passou a ter acesso às rodovias que levam a Brasília, e, conseqüentemente, ao Brasil central.
Na década de 1970, a Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (CODEVASF) implantou projetos de colonização e irrigação na região, destacando-se os perímetros irrigados de Barreiras e São Desidério.
Foi a partir do final dos anos 1970, no entanto, que o Oeste começou a passar por transformações efetivamente de monta. Iniciou-se o processo de expansão das fronteiras agrícolas, que aumentou a concentração fundiária e introduziu a cultura de grãos, principalmente a da soja, que se constituiu no principal produto.
Incentivos ao crédito como o Programa de Desenvolvimento dos Cerrados (PRODECER), do governo federal, garantiram os recursos necessários para os investimentos públicos e privados na região. Entre 1978 e 2001 foram implantados 21 projetos nos estados de MG, GO, MS, MT, BA, MA e TO totalizando 353.748 hectares, beneficiando 758 colonos, nas culturas de Soja, Milho, Feijão, Algodão, Arroz, Trigo, Café, Frutíferas e Olerícolas.
Em paralelo estabeleceu-se o Centro de Pesquisas Agropecuárias dos Cerrados – CPAC, vinculado a EMBRAPA e a operacionalização do Projeto Suporte Técnico-Científico para o Desenvolvimento Agrícola dos Cerrados, enfocando técnicas básicas para o aproveitamento racional do sistema solo-planta-água e cultivo de grãos. Somente em 1992 iniciaram pesquisas visando o equilíbrio entre o desenvolvimento agrícola e a preservação ambiental, com vistas à prática da agricultura sustentável.
Os elevados investimentos públicos, o baixo preço da terra e a estrutura viária existente favoreceram a implantação do novo modelo de produção, atraindo grande contingente de imigrantes do próprio estado, mas principalmente do Sul do Brasil, para essa área.
Entre 1980-1991, os residentes do estado cresceram a uma taxa de 2,09% a.a., enquanto a região Oeste, em pleno processo de expansão das fronteiras agrícolas, apresentava uma taxa de 2,44% a.a. Em 1980, a densidade demográfica do Oeste era de 2,94 hab./km2 e, em 2000, de 4,26 hab./km².
A perda de biodiversidade no Oeste Baiano em números
De acordo um estudo elaborado pela Embrapa Monitoramento por Satélite, em 1985 a agropecuária ocupava uma área de 631.175 hectares e já em 2000 ocupava 1.605.762 hectares. Estimativas iniciais da CI - Brasil sugerem que entre os anos de 2000 e 2006 houve uma remoção de aproximadamente 334.000 hectares. Esse valor indica uma média anual de 66.000 hectares de desmatamentos ou uma taxa de remoção de pelo menos 0,7% ao ano. Essa taxa de desmatamento é inferior à média do Cerrado, calculada em 1,1% ao ano e também inferior à média da região, calculada em 1% anuais pelo estudo de Batistella.
A área desmatada no Oeste da Bahia até o começo de 2006 já alcançava 2.065.659 hectares, valor que representa aproximadamente 22% da região do Cerrado do Oeste baiano. À primeira vista esse percentual poderia sugerir que ainda há muito espaço para a expansão do agronegócio na região, mas o aspecto mais preocupante é que não existe uma política de conservação que dê sustentabilidade a políticas de desenvolvimento. Em outras palavras, o desenvolvimento econômico planejado para a região não está sendo acompanhado por uma política de conservação da biodiversidade e esse aspecto poderá gerar uma visão extremamente negativa do agronegócio na região.
A proteção dos ecossistemas nativos e espécies de interesse para a conservação, como as espécies ameaçadas de extinção e espécies endêmicas, não tem sido adequadamente realizada na região. Somente 0,42% dos cerrados do Oeste da Bahia estão protegidos por algum tipo de unidade de conservação. As unidades de conservação de proteção integral que asseguram de maneira mais efetiva a proteção da biodiversidade e representam apenas 0,38% da região. Apenas duas unidades de conservação de proteção integral foram criadas especificamente para proteger espécies e ecossistemas da região: o Refúgio de Vida Silvestre Veredas do Oeste Baiano com aproximadamente 128.000 e a Estação Ecológica Estadual do Rio Preto, com cerca de 4.500 hectares.
Com a falta de reservas dedicadas à manutenção da biodiversidade regionais, espécies como o pato-mergulhão (Mergus octosetaceus - espécie criticamente ameaçada de extinção) a arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus – espécie ameaçada-vulnerável), ou mesmo as áreas de chapadas, tão pressionadas pela expansão do agronegócio, poderão desaparecer antes mesmo de serem estudadas e caracterizadas sob o ponto de vista da biodiversidade. A ocorrência de tais espécies é ainda bastante desconhecida pela ciência, pois pouquíssimas localidades foram inventariadas na região. Registros confirmados de espécies ameaçadas existem tão somente para três localidades no Oeste baiano. Mesmo para outros grupos faunísticos os inventários biológicos são bastante raros, conforme demonstra a compilação realizada durante os preparativos para o Zoneamento Ecológico Econômico do estado da Bahia.
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Fontes:
Batistella, M. Monitoramento da expansão agropecuária na região do Oeste da Bahia utilizando sensoriamento remoto e geoprocessamento. In. Anais... II Congresso Regional de Geoprocessamento e Sensoriamento Remoto. Aracaju-SE. 2004.
DERBA. Elaboração do Macrozoneamento Agroecológico do Oeste Baiano – Relatório Final. Governo da Bahia, Secretaria de Infra-estrutura de Transportes. Salvador, Bahia, 409p. 2005.
Mendonça, J.O. O potencial de crescimento da produção de grãos no Oeste da Bahia. Bahia Agricultura v. 7, n.2, p. 38-46, 2006.
MACHADO, R. B. et al. Estimativas de perda da área do Cerrado brasileiro. Relatório técnico não publicado. Brasília: Conservação Internacional. 10p. 2004.
PRODECER: Projetos no cerrado e dívidas agrícolas. Neide Mayumi Osada In: <http://www.asiayargentina.com/usp-05.htm>. Acesso em 18 de abril de 2007.
Programa de cooperação nipo-brasileira para o desenvolvimento do cerrado – PRODECER In. <http://www.agricultura.gov.br/portal/page?_pageid=33,982677&_dad=portal&_schema=PORTAL>. Acesso em 18 de abril de 2007.
SANTOS, Cândida Ribeiro; PINHO, Simone Araújo de. Breve histórico de ocupação da Bahia em três grandes áreas. In. Dinâmica sociodemográfica da Bahia: 1980-2000. Salvador: SEI – Superintendência de estudos econômicos e sociais da Bahia. v.1. p. 69-79, 2003.
Região Oeste. In. Dinâmica sociodemográfica da Bahia: 1980-2000. Salvador: SEI – Superintendência de estudos econômicos e sociais da Bahia. v. 1. p. 421-439, 2003.
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