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BIOMA CERRADO
O cerrado ocupa cerca de 23% do território brasileiro, totalizando
uma área de 2.000.000 Km², atingindo os estados da Bahia, Ceará, Distrito
Federal, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais,
Piauí, Rondônia, São Paulo e Tocantins . Ocorrendo também em formas
de disjunções nas regiões Norte, Nordeste e nos Estados de São Paulo
e Paraná.
Nessa região a paisagem é bastante heterogenia, com o relevo apresentando-se
ora fortemente ondulado, ora suave, mas com solos via de regra profundos,
ácidos e deficientes em numerosos componentes químicos. A temperatura
média anual varia entre 22º a 25ºC e a precipitação entre 750 a
2.000 mm/ano em média, com chuvas concentrando-se nos meses de outubro
a abril. Uma importante característica desse ecossistema que vale
a pena ser ressaltada é que mesmo quando as precipitações médias
giram em torno dos 750 mm/ano, não há falta de água para as plantas
e animais da região, já que os rios são perenes e na estação seca
os solos contêm bastante água armazenada durante o período das chuvas
.
Segundo Furley & Ratter (1988) essas variações climáticas,
associadas com fatores e dáficos e a ação do fogo (Coutinho, 1978),
bem como a drenagem e topografia são refletidas na grande variação
fisionômica do cerrado.
A grande heterogeneidade espacial desse ecossistema é responsável
pela produção de uma cobertura vegetal bastante diversificada, com
o campo limpo formado exclusivamente pelo componente herbáceo; o
campo sujo com a vegetação herbácea mesclando-se os subarbustos;
o campo cerrado com algumas árvores de porte médio, diluídas em
um extrato herbáceo formado principalmente por gramíneas e ciperáceas;
o cerrado propriamente dito com os três extratos presentes sendo
mais fechado que os outros anteriores e o cerradão com árvores mais
altas e grossas, formando uma densa mata, de dossel compacto. Além
dessas outra importante formação é a vereda, uma formação aberta
que está fortemente associada com água e tem o buriti (Mauritia
flexuosa L.) como seu principal componente, formando corredores
de formações herbáceas rasas as quais possibilitam grandes caminhos
naturais para circulação dos animais no interior do país[iii].
O grau de endemismo da biota do cerrado é significativo e pouco
se conhece sobre a distribuição das espécies dentro do bioma, embora
grandes esforços de pesquisa tenham sido iniciados a partir da década
de 80 .
A flora do cerrado é muito rica, ela possui um número significativo
de espécies arbóreas e subarbustivas com seus troncos tortuosos
de casca grossa característica que lhes é muito peculiar atuando
como personagens eternos deste cenário, bem como espécies herbáceas
e arbustivas, que só entram em cena no período das chuvas. Castro
et al (1999) estimam que o cerrado teria de 3000 a 7000 espácies
lenhosas. Entretanto o estrato arbóreo-arbustivo, segundo Ratter
et al (1987),apud. Costa et al (2004) , a diversidade ao longo do
gradiente vegetacional (diversidade alfa), em geral, não ultrapassa
a 120 espécies por hectare, sendo ainda menos nas áreas disjuntas.Uma
das árvores mais famosas é o pequi (Caryocar
brasiliense Cambess.) muito utilizado na culinária
local, outras espécies que chamam a atenção pelo seu potencial paisagístico
são: o ipê-cascudo (Tabebuia ochracea (Cham.) Standt.,
a craibera (Tabebuia aurea (Manso) Benth. & Hook., o pau-santo
(Kielmeyera coriacea ( Spr.) Mart., o pau-terra
(Qualea grandiflora Mart.), a lixeira
(Curatella americana L.) além de muitas outras[vi],
.
A fauna deste ecossistema também não fica atrás, se juntarmos três
ordens de invertebrados (Lepidóptera, Hymenoptera e Isoptera: respectivamente
borboletas, abelhas+formigas+vespas e cupins) somam-se 14.425 espécies
estimadas para o cerrado, o que representa 47 % da fauna estimada
para o Brasil. Com relação aos vertebrados a situação é mais precária,
pois além de termos um número significativo de espécies endêmicas
(32 anfíbios, 20 répteis, 29 aves e 18 mamíferos), temos também
grande parte desta fauna ameaçada de extinção (3 anfíbios, 15 répteis
e 33 aves) como a nossa onça-pintada (Panthera onça), a lontra (Lutra
longicaudis), a arara-vermelha (Ara chloroptera), o lagartinho-de-cauda-vermelha
(Vanzosaura rubricauda), a rã-cavadeira (Leptodactylus troglodytes)
além de outras[vi].
Apenas 1/3 das áreas de cerrado encontram-se pouco antropizadas
e somente 0,85% do cerrado encontram-se oficialmente em unidades
de conservação. A preservação desse ecossistema tão complexo torna-se
difícil à medida que os recursos e estudos são escassos e as fisionomias
são tão diversas a ponto de nem todas serem contempladas dentro
de uma unidade de conservação[vi].
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